[Albatroz]Novidade "No Harém do Kadhafi",de Annick Cojean

Título: No Harém do Kadhafi
Autores: Annick Cojean
Tradução: Carlos Sousa de Almeida
Págs.: 224
Capa: mole com badanas
PVP: 15,50 €

O relato, na primeira pessoa, de uma prisioneira do ex-líder árabe
No dia 7 de fevereiro, sob a chancela Albatroz, é publicado No Harém de Kadhafi, um livro que relata na primeira pessoa a história de uma das escravas sexuais de Muammar Kadhafi, escrito pela mão da grande repórter do Le Monde Annick Cojean.
Surpreendente e inquietante, este é um testemunho atual de Soraya, uma rapariga capturada aos 15 anos pelo então Chefe de Estado da Líbia. Neste livro, ela revela os crimes que viveu e testemunhou até conseguir fugir do quartel-general de Bab Al-Azizia.
Annick Cojean conheceu Soraya logo após a morte de Kadhafi, em Trípoli, e foi ela a confidente de uma história e de um tempo sobre os quais a Líbia ainda não quer falar.


Soraya tem apenas 15 anos quando, certa manhã, recebe a notícia da visita do líder da Líbia, Muammar Kadhafi, à sua escola. Como praticamente todos os jovens líbios, também ela cresceu no culto da veneração ao Guia, encarado como um deus, vivendo «num olimpo inatingível». Quando é apresentada ao Coronel, este pousa uma mão sobre a sua cabeça e acaricia-lhe os cabelos. A vida de Soraya, a sua infância e todas as esperanças de futuro terminam nesse exato momento, pois com esse gesto o Guia acabou de indicar às suas guardas que Soraya passará a ser sua escrava sexual. Nos anos seguintes, Soraya é torturada, violada, espancada, obrigada a consumir álcool e drogas. Tenta por várias vezes escapar, e consegue mesmo fugir do país, mas o regime de terror em que vive torna-a frágil, incapaz de interagir com os outros de forma saudável. Nem sequer a morte e o desaparecimento dos seus algozes vem apaziguar o medo, a vergonha, a revolta. A jornalista Annick Cojean foi a fiel depositária desta e de outras histórias, conduzindo uma investigação que traz a lume a utilização das mulheres líbias como armas de guerra no seio de uma sociedade corrompida, cuja população é, ainda hoje, simultaneamente vítima e cúmplice da uma política de silêncio que urge romper, para que se faça finalmente justiça.


Grande repórter do jornal Le Monde, presidente do júri do Prémio Albert Londres, que obteve em 1996, Annick Cojean é uma das jornalistas de maior renome da imprensa francesa. É autora de vários livros, entre os quais se destacam FM, la folle histoire des radios libres, escrito em coautoria com Frank Eskenazi, e Retour sur images.


Este não é um livro, é uma bomba.
Salon Littéraire

Raptos, violações, humilhação. Este foi o destino de inúmeras mulheres, mantidas à mercê do coronel Kadhafi. Neste livro chocante, Annick Cojean dá voz a essas mulheres [...]
Elle (França)

É difícil não nos comovermos perante o relato da crueldade que um só homem conseguiu infligir a tantos. [Mas a] persistência [de Annick Cojean] e a coragem de Soraya foram recompensadas. O facto de o livro de Cojean ter sido traduzido para árabe e estar agora disponível na Líbia oferece um pequeno raio de esperança para o futuro.
Independent

No sentido oposto da imagem de um Kadhafi “sufragista”, [este livro] revela a exploração sexual [de que foi alvo] um país inteiro.
Le Point

No Harém de Kadhafi é ao mesmo tempo comovente, aterrorizador e inquietante.
24 Heures

[Porto Editora]Novidade "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto",de Mário de Carvalho

Título: Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto
Autor: Mário de Carvalho
Págs.: 248
PVP: 14,40 €

Mário de Carvalho convoca-nos num dos seus romances mais interventivos
A Porto Editora publica, no dia 7 de fevereiro, Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto, um romance marcante de Mário de Carvalho, o primeiro onde o autor coloca em evidência o seu descontentamento para com a sociedade, a política, o elitismo ideológico, a burocracia.
Protagonizado por dois filhos da Revolução de Abril, este é um livro que faz uma crítica social mordaz, mas bem-humorada, e que nos questiona sobre se «a realidade é muito abusadora». Logo no início do romance, fica a advertência: Este livro contém particularidades irritantes para os mais acostumados. Ainda mais para os menos. Tem caricaturas. Humores. Derivações. E alguns anacolutos.


Mário de Carvalho convoca-nos a todos. A nós e aos nossos conhecidos. Faz humor com ilusões e desilusões, amores e desamores, graças e desgraças. O Partido Comunista não escapa à ironia. Brilha a deslumbrante Lisboa, mas também outros locais e endereços. Eduarda Galvão é o protótipo da jovem jornalista. Jorge de Matos o professor cansado. Joel Strosse o pairar da esperança enquanto há vida. Entram outros burgueses, mais tímidos, mais atrevidos, mais abertos, mais recolhidos. O leitor reconhece-os facilmente, olhando em volta. Políticas também há algumas, bandeiras rubras, livros nas bibliotecas, uma revolução que entardeceu. Comparece o rio magnífico que Lisboa tem. E, já agora, que tal trocarmos umas ideias sobre o assunto?



Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico. Desde então, tem praticado diversos géneros literários, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários portugueses mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube e o prémio internacional Pégaso). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

[Quetzal]Novidade "O Circo Invisível",de Jennifer Egan

Titulo: O Circo Invisível
Autor: Jennifer Egan
Tradução: Jorge Pereirinha Pires
N.º de páginas: 400
PVP: 18,80 €
Data de lançamento: 7 de fevereiro



Da autora de A Visita do Brutamontes
Phoebe vive obcecada com a memória e a morte da irmã, Faith, uma bonita e idealista hippie morta em Itália em 1970. Para descobrir a verdade sobre a vida e a morte desta, Phoebe refaz, passo a passo, a viagem que antecedeu o trágico e misterioso fim de Faith, partindo de São Francisco e atravessando a Europa – demanda que irá produzir revelações complexas e perturbantes sobre a família, o amor e uma geração perdida. Com o drama político e as tensões familiares como pano de fundo, este Circo Invisível é também uma viagem iniciática, a busca pela verdade de uma série de acontecimentos passados, e a busca do indivíduo, no início da idade adulta, pelo sentido da sua própria existência. Do declínio da revolução hippie na América, ao calor da revolução estudantil na Europa, passando pelos movimentos radicais de esquerda da Alemanha, este envolvente primeiro romance de Jennifer Egan é um portentoso exemplo da sua invulgar mestria em criar suspense, personagens de grande profundidade e diversíssimos matizes de emoção.


Jennifer Egan é autora de vários romances e volumes de contos publicados regularmente nas revistas The New Yorker, Harper’s Magazine e GQ, entre outras. O seu mais recente romance, A Visita do Brutamontes, publicado pela Quetzal em 2012, mereceu a aclamação da generalidade da crítica anglo-saxónica, elevando-se ao estatuto de «o novo clássico da ficção americana».


A Visita do Brutamontes na imprensa portuguesa:
«O mais espantoso nesta ficção, algures entre o romance de estrutura heterodoxa e a coletânea de contos que funcionam como unidades autónomas, é que Egan nunca perde o sentido do tema que atravessa todas as suas histórias dispersas: o tempo enquanto agente de mudança que tanto pode maltratar-nos (é ele o "brutamontes" do título) como redimir-nos, às vezes inesperadamente.»
José Mário Silva, Atual

«Assim, entre vencedores e vencidos, sobreviventes e vítimas, em mansões decrépitas e quartos de hotéis onde o rasto das linhas de coca e as seringas usadas são tão banais como objectos de decoração, estes outrora jovens sem preocupações para além da próxima aventura e da próxima festa vêem-se confrontados com a crise económica, com o terrorismo, com o desaparecimento de referências – e perdidos na Internet, esse santuário global da decadência onde tudo o que é publicado se torna instantaneamente desadequado.»
Helena Vasconcelos, Ípsilon

«Jennifer Egan é uma escritora ao estilo Nick Hornby, cheia de referências musicais punk rock, criadora de diálogos rápidos e personagens angustiadas pela vida.»
Diana Garrido, i

[5 Sentidos]Novidade "Espero por ti",de Jennifer Armentrout

Título: Espero por ti
Autor: Jennifer Armentrout
Tradução: Inês Amado
Págs.: 352
Capa: mole com badanas
PVP: 16,60 €

Romance bestseller de Jennifer Armentrout é publicado a 7 de fevereiro


Espero por ti é o romance de Jennifer Armentrout que, publicado inicialmente em formato digital sob o pseudónimo J. Lynn, alcançou o primeiro lugar na lista de e-books mais vendidos do New York Times e USA Today, destronando autores já consagrados. Este romance revelação será publicado pela chancela 5 Sentidos no dia 7 de fevereiro.
Conhecida como autora de ficção científica e fantasia, Jennifer Armentrout estreia-se com Espero por Ti no género erótico. Sedutor e apaixonante, Espero por Ti é um romance sobre o poder de salvação do amor e a força da atração.
SINOPSE Candidatar-se a uma faculdade a centenas de quilómetros de casa foi a única forma que Avery Morgansten, de dezanove anos, encontrou para fugir ao acontecimento fatídico que, cinco anos antes, mudara a sua vida para sempre. No entanto, quando se cruza com Cameron Hamilton, um colega mais velho, com um metro e oitenta de altura e uns olhos capazes de derreter qualquer uma, o seu mundo estilhaça-se por completo. Envolver-se com ele é perigoso, mas ignorar a tensão entre os dois parece impossível. Até onde estará Avery disposta a ir e o que fará para esquecer o passado e viver aquela relação intensa e apaixonada, que ameaça ruir todas as suas certezas e dar-lhe a conhecer um mundo de sensações que julgava estarem-lhe negadas para sempre?


Jennifer Armentrout, autora bestseller do New York Times e do USA Today, vive em Martinsburg, na Virgínia Ocidental. Para além de literatura romântica, escreve livros de ficção científica e fantasia. Espero por ti, inicialmente publicado em edição de autor no formato eletrónico, alcançou um feito inédito ao obter o 1.º lugar dos tops norte-americanos de livros digitais, superando as vendas de e-books de autores conhecidos e consagrados. Mais informações sobre a autora em www.jenniferarmentrout.com



Jennifer Armentrout prova que os autores de livros digitais não só podem competir com os grandes, como ganhar-lhes.
Forbes

Penso que nunca li um romance do género que tivesse tanta profundidade quanto este. Comoveu-me imenso.
K-Books

Avery e Cam são irresistíveis. Um livro para todos os que acreditam no poder curativo do amor.
Publishers Weekly

[Quinta Essência]Opinião "O Êxtase",de Nicole Jordan

Titulo: O Êxtase
Autor: Nicole Jordan


Depois de ver a mãe consumir-se e perder tudo por um amor não correspondido, Raven jura a si mesma que só casará para recuperar a posição social da família. O único capricho que se permite é sonhar com um amante, um pirata que só existe nos seus sonhos e que a preenche de amor e paixão. Porém, quando rebenta um escândalo em torno da sua pessoa, é obrigada a aceitar a proposta de casamento do dono diabolicamente sensual do mais famoso clube de jogo de Londres. Apesar de se sentir irresistivelmente atraída pelo seu enigmático salvador, Raven lutará para resistir ao novo marido, um homem cujas carícias prometem um êxtase para além das suas fantasias mais loucas. Para salvar a reputação de uma jovem inocente a quem o irmão estava prestes a arruinar a vida, Kell Lasseter sacrifica a sua liberdade para casar com a deslumbrante debutante. Desprezado pelo seu sangue irlandês e passado obscuro, Kell não pode negar que aquela encantadora mulher temperamental não se parece nada com as outras jovens da sociedade... nem sufocar o seu ardente desejo por ela. Dividido entre a lealdade para com o irmão e os crescentes e novos sentimentos pela sua esposa rebelde, Kell tentará libertar o coração relutante de Raven antes de poder conhecer o êxtase do verdadeiro amor.


Este foi o primeiro livro que li da autora e ainda me pergunto qual a razão deste atraso todo. É verdade que o seu nome não é uma novidade para mim, quantas foram as vezes que me avisaram acerca do talento da autora e naquilo que eu estava a perder. Infelizmente o tempo livre nem sempre ajuda e só agora tive oportunidade de ler uma das suas obras, que foi publicada neste mês de Janeiro de 2014.
A sinopse prometia um livro fantástico, cheio de aventuras, romance e sensualidade e o que encontrei…foi isso mesmo! Desde o início do livro que o protagonista masculino me tinha deixado fascinada. Kell Lasseter tinha algo nele que me fazia devorar cada página deste livro e cada acção sua fazia aumentar a minha curiosidade sobre aquilo que se ia passar a seguir. Ele mostrou ser um homem muito íntegro, que honrava as suas promessas e que se sacrificava por aqueles que amava. Ele ter-se apercebido dos seus sentimentos antes de Raven foi algo realmente excepcional. Esse foi um toque de originalidade imenso por parte da autora, pois normalmente é o contrário que acontece. Raven foi também uma personagem forte que, apesar de no inicio parecer um pouco snob, acabou por surpreender de uma forma muito positiva. Ao longo da história foi mostrando não ser uma rapariga fútil, que lutava por aquilo que realmente acreditava.
Ainda não li os outros livros desta serie, mas tenho o livro anterior aqui em casa. “Desejo” encontra-se alí na estante, à espera de ser lido brevemente e, espero que em breve a Quinta Essência nos traga o quinto livro. Não vou querer perder!

[Bertrand]Novidade "Nós, os Afogados",de Carsten Jensen

Titulo: Nós, os Afogados
Autor: Carsten Jensen
N.º de páginas: 800
PVP: 27,70 €
Data de lançamento: 14 de fevereiro


Um épico de aventuras, de bravura, de homens intrépidos e apaixonados, escrito por um dos autores mais aclamados da Escandinávia.
Aclamado imediatamente na Europa como sendo um clássico, Nós, os Afogados narra a história da cidade portuária de Marstal, cujos habitantes se fizeram ao mar e navegaram pelo mundo inteiro a partir de meados do século XIX até ao final da Segunda Guerra Mundial. Aqui contam-se as histórias de navios afundados e destruídos em guerras, de lugares de horror e violência que continuam a fascinar todas as gerações; aqui encontramos canibais, sonhos proféticos e sobrevivências miraculosas. O resultado é uma saga apaixonante, repleta de sabedoria e humor, de pais e filhos, das mulheres que eles amam e deixam para trás e da promessa assassina dos mares.
Em 1848, um grupo de navegadores dinamarqueses deixa a ilha de Marstal para lutar contra os alemães. Nem todos regressam, e os que regressam nunca mais serão os mesmos. Entre eles, encontra-se Laurids Madsen, que não tarda a escapar de novo para o anonimato do mar alto. Quando o seu filho Albert atinge a maioridade, parte à procura do pai desaparecido numa viagem que o levará por todo o globo.
Da Terra Nova às plantações da Samoa, da Tasmânia às costas geladas do norte da Rússia, esta história estende-se por quatro gerações, atravessando duas guerras mundiais e um século de história.



Carsten Jensen é um escritor dinamarquês nascido em 1952. Recebeu vários prémios pelos seus ensaios e artigos, bem como pelos livros de viagens que escreveu. É considerado uma das vozes mais frontais e críticas da Dinamarca. O seu livro Nós, os Afogados venceu em 2007 o mais importante dos prémios literários da Dinamarca, o Danske Banks Litteraturpris

[Editorial Presença]Resultado do passatempo "Entre o agora e o nunca"

E como o fim de semana está a terminar, vamos lá saber quem foi o vencedor do passatempo “Entre o agora e o nunca” realizado em parceria com a Editorial Presença. O prémio era um exemplar deste livro fantástico e podem ler a minha opinião aqui.
Então o vencedor foi:

133 - Joana Catarina Nicolau Esteves, de São Domingues de Rana


Muitos parabéns! A editora irá enviar o prémio para a morada indicada.
A todos os outros, não desanimem e continuem a participar nos passatempos do blogue. Muito obrigada a todos.

[SDE]Novidade "Vida Roubada",de Adam Johnson

Titulo: Vida Roubada
Autor: Adam Johnson
Lançamento: 7 de fevereiro

Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do,  um jovem no país com a ditadura mais  sombria do mundo: a Coreia do Norte.


Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.
Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.

[SDE]Á conversa com...Adam Johnson


UMA CONVERSA ENTRE ADAM JOHNSON E DAVID EBERSHOFF*

DAVID EBERSHOFF: Comecemos por Jun Do, o teu protagonista. Das mil e uma decisões criativas que fizeste quando estavas a escrever este livro, ele foi provavelmente a mais importante. Uma coisa é pensar na Coreia do Norte como tema de um romance, mas claro que países e estruturas políticas nunca são realmente temas de boa ficção — as pessoas são.  Como escolheste Jun Do como teu guia — e nosso — através deste mundo de pesadelo?
ADAM JOHNSON: Há muita coisa escrita acerca dos aspetos políticos, militares e económicos da RDPC, mas foi sempre a dimensão pessoal que me interessou. Perguntava-me como é que as famílias se acomodavam sob uma tal repressão e como é que as pessoas mantinham a sua identidade contra a maré da propaganda, e se os amantes partilhavam, apesar dos perigos, os seus pensamentos íntimos. Assim, desde o início, o meu objetivo neste livro era criar uma personagem singular que fosse para mim totalmente humana. Deveria provavelmente dizer «captar» tanto quanto «criar», pois utilizei muitíssima investigação para construir a história. A primeira pessoa que entrevistei para o livro foi um órfão do Norte, e o desespero e a tristeza da sua experiência impregnam a abertura do livro. Todas as histórias de desertores me fascinaram, e quer trabalhassem em fábricas de conservas ou em barcos de pesca, todos tinham em comum experiências de serviço militar obrigatório, dos anos de fome, do desaparecimento de entes queridos e da brutalidade do Estado. Num mundo em que a expressão é calculada e a espontaneidade é perigosa, era especialmente importante encontrar momentos de intimidade, humor e surpresa. Jun Do foi além desta investigação. Quando o livro se inicia, Jun Do é um pau mandado, é uma personagem que faz o que lhe dizem quando lhe dizem, por mais sombria que seja a tarefa, e não faz quaisquer perguntas. Mas, ao ouvir as transmissões do estrangeiro e através de um encontro casual com marinheiros americanos, a espontaneidade e a possibilidade entram na vida de Jun Do. Desse ponto de vista, ele decide agir segundo as suas necessidades e desejos, o que o vai levar a entrar em conflito com todos os aspetos da sua sociedade.

DE: Creio que a primeira vez que o coração se me partiu, neste livro — e partiu-se várias vezes —, foi nas primeiras páginas quando o leitor percebe que Jun Do, que tem orgulho de ser o único miúdo do orfanato que tem pai, é também um órfão. Na vida real, a história de um órfão pode ser tão terrivelmente triste que por vezes vemo-lo, a ele ou a ela, mais de uma forma piedosa do que de uma forma complexa. E, no entanto, nestas páginas os órfãos atraem-nos, tanto enquanto leitores como enquanto escritores. Qual pensas ser a razão disto?
AJ: Na vida real, os nossos corações expandem-se. Nunca tinha escrito sobre um órfão antes, e fui surpreendido pela resiliência e pela capacidade inquisitiva de Jun Do. Na ficção, uma personagem como esta é como uma ardósia vazia, uma ardósia que advoga ou defende, uma pessoa para quem até as noções básicas do amor e do ter laços aparecem como grandes descobertas. E, claro, na Coreia do Norte a relação primordial é com o Estado. As lealdades devem pertencer ao regime em primeiro lugar e à família em segundo lugar, o que, de algum modo, transforma toda a gente em órfão, e o regime de Kim no verdadeiro guardião dos órfãos.

DE: Sim, a ardósia vazia dos órfãos dá ao escritor uma espécie de liberdade, creio eu. Quando vejo alguém interessante no metro — a senhora com a sua Bíblia nova, ou o tipo das entregas a segurar numa dúzia de balões de poliéster —, a minha mente vai em duas direções diferentes. De onde vêm? E para onde vão? Frequentemente, a segunda questão é a de saber o que move um romance para diante. Mas a primeira questão pode também ser uma fonte da profundidade de um romance. Com uma personagem que é órfã, que nunca saberá a verdadeira história da sua família, a primeira questão leva-nos, talvez, apenas até aí. A propósito, vi as tuas fotografias do Metro de Pyongyang. Não há balões de poliéster e, definitivamente, não há Bíblias. Quando foste à Coreia do Norte, já trabalhavas no livro há uns quantos anos. Andavas a ler e a pensar nele há muito tempo. O que mais te surpreendeu quando viste com os teus próprios olhos?
AJ: Na verdade, a utilização de balões é uma tática vulgar de levar informações e Bíblias em miniatura aos cidadãos do Norte. Os balões são grandes, normalmente do tamanho de uma bola de praia, e são largados a sul da ZDC para voarem até ao Norte com artigos preciosos agarrados, como meias de lã, coisas tão raras que os Norte-Coreanos correm grandes riscos para localizarem os balões, e é ali que encontram o material pró-religioso ou antirregime. Estava já a trabalhar em Vida Roubada havia um par de anos quando, finalmente, descobri um caminho até Pyongyang. Poucas pessoas têm hipótese de viajar até lá, e os meus guias — gente brilhante, divertida e interessante — não sabiam o que fazer de mim. Devido ao facto de estar profundamente envolvido no romance, sabia os locais que queria visitar, e os meus guias ficaram entusiasmados quando pedi para ver monumentos de grande orgulho nacional como o Cemitério dos Mártires Revolucionários (que figura com relevo no livro) ou as estufas onde são cultivadas as flores nacionais, kimjongilia e kimilsungia. Mas quando mostrei interesse em visitar um velho parque de diversões, deparei com uma grande desconfiança. Não ajudou o facto de ter perguntado porque não havia deficientes na capital, onde estavam situados os pontos de emergência contra incêndios, e como é que o correio era entregue sem caixas de correio. Quando observei que todas as mulheres em Pyongyang usam a mesma tonalidade de batom, foi uma espécie de última gota. As coisas realmente chocantes e assustadoras de que dei conta, em Pyongyang, essas pu-las diretamente no livro: um camião basculante cheio de «voluntários» a caminho do campo, uma família a trepar às árvores para roubar castanhas num parque público, os apitos, Kalashnikov cromadas, e um guarda-noturno sentado durante toda a noite a guardar as carpas nos lagos.

DE: Falaste alguma vez com alguém exterior à visita orquestrada?
AJ: É uma boa pergunta. Na verdade, é ilegal para um cidadão da RDPC interagir com um estrangeiro. Todas as pessoas que conheci tinham sido especialmente treinadas para tratar com visitantes americanos. Por isso, não havia espaço para uma interação genuína. Ao caminhar pelas ruas da capital no meio de multidões de habitantes de Pyongyang a caminho dos seus destinos, senti um apelo enorme para falar com eles, ouvir as suas histórias, mas isso não era possível, pelo que tinha de trazer as suas histórias à luz através da ficção.

DE: Pergunto-me se vislumbraste, mesmo se através da janela de um carro, alguém a passar por uma experiência que pudesse ser descrita como sendo de alegria. Não a alegria relativa às realidades políticas, claro, mas a simples alegria de passear com um amigo ou de parar para sentir a brisa.
AJ: Oh, claro que sim. As pessoas ali são tão humanas quanto nós, movidas pelas mesmas necessidades e motivações. Têm muitas regras para seguir, mas desde que sejam atentos e cautelosos, podem viver uma vida relativamente normal. Por exemplo, ao mesmo tempo que a maior parte dos cidadãos não corre o risco de sequer olhar para um estrangeiro como eu, vi casais a passearem ao longo do Rio Taedong e famílias a fazerem piqueniques na Colina Mansu. Os rapazinhos brincavam com barcos nas fontes e os velhos pareciam entretidos com o jogo de cartas nas praças. Vi jovens a lerem livros (aprovados pelo Estado) e o que parecia ser um clube de jardinagem a cuidar das flores junto à estátua de Chollima. Pyongyang é onde residem as elites do país, cujas vidas são relativamente mais estáveis e agradáveis do que a dos seus homólogos da província.

DE: Como é que o livro mudou depois da viagem à Coreia do Norte?
AJ: Uma vez que não me era permitido falar, a não ser através de um guia, com as pessoas que conheci em Pyongyang — guias de museus, chefs, motoristas de autocarro —, quis realmente dar vida a um cidadão de Pyongyang. Daí que tenha criado a figura do interrogador, uma pessoa que nos pudesse mostrar os edifícios de apartamentos, os caminhos subterrâneos e os mercados noturnos da capital. Enfrentei, porém, muitos desafios para construir esse retrato. As pessoas de Pyongyang tendem a não desertar e, por conseguinte, as suas histórias não são conhecidas no mundo exterior, pelo que o modo como vivem é um mistério ainda maior. E sabe-se muito pouco sobre a Polícia Secreta Norte-Coreana. Assim, tive de inventar a maior parte desta personagem. Recorri a informações do maior número de fontes possível e, ao mesmo tempo que muitos aspetos desta personagem podem não assentar em factos, senti que, emocionalmente, era a parte mais verdadeira do livro em termos de como a autocensura e a paranoia podem corroer os laços de uma família, mesmo entre pai e filho, até tudo se transformar em desconfiança e medo, até os próprios polos do amor terem sido invertidos.

DE: Como deverão os leitores distinguir o que é real e o que é inventado, no teu livro? É um romance, mas é situado num lugar real.
AJ: Se a literatura é uma ficção que nos fala de uma verdade mais profunda, sinto que o meu livro é um retrato muito exato sobre como os princípios do totalitarismo devoram as coisas que nos tornam humanos: liberdade, arte, escolha, identidade, expressão, amor. E devido ao facto de poucas coisas acerca da Coreia do Norte serem verificáveis (para além de imagens de satélite e de testemunhos de desertores), isto parece ser um reino no qual o alcance imaginativo da ficção literária é o nosso melhor instrumento para descobrir a dimensão humana de uma sociedade tão fugidia. Mas eu sei o que estás a perguntar: são realmente arrancadas tatuagens às pessoas na Coreia do Norte? Os Norte-Coreanos raptam realmente cidadãos japoneses? Há uma lógica e uma racionalidade em cada decisão artística que tomei no livro, mas basta dizer que a maior parte dos aspetos chocantes do livro é baseada no mundo real: os altifalantes, os gulags, a fome, os raptos. Muita da propaganda, especialmente as partes mais divertidas, foi diretamente tirada do Rodong Sinmun de Pyongyang, o jornal do Partido dos Trabalhadores. Por exemplo, logo no início da minha investigação, deparei com a história de Charles Robert Jenkins, um soldado dos EUA que, em 1965, bebeu dez cervejas e depois atravessou a ZDC e entrou na Coreia do Norte, onde esteve detido durante trinta e nove anos. Os Norte-Coreanos, depois de capturarem Jenkins, arrancaram-lhe a pele onde tinha as tatuagens dos Marines, com uma faca e sem anestesia. Durante os primeiros sete anos de confinamento, foi obrigado a memorizar e transcrever as obras de Kim Il Sung. A seguir, foi enviado para a escola de línguas para ensinar inglês aos espiões norte-coreanos, mas quando o seu sotaque da Carolina do Norte se revelou constituir um problema, foi arrolado para desempenhar papéis de vilão americano em filmes de propaganda. Em 1980, os Norte-Coreanos arranjaram-lhe um casamento com Hitomi Soga, uma enfermeira que fora raptada no Japão. O leitor verá que todos estes elementos encontraram — de uma forma ou de outra — um lugar no romance. Sabemos que os Norte-Coreanos escavaram túneis de incursão sob a ZDC, que raptaram grandes quantidades de cidadãos estrangeiros e que utilizam barcos de pesca para transportar dinheiro falso, drogas ilegais e contrabandear munições militares. O que é ficção é que uma só pessoa pudesse ser investida com todas estas capacidades, como acontece com a minha personagem Jun Do Mas, neste caso, valorizei um retrato mais alargado da sociedade norte-coreana em relação à plausibilidade de que uma só pessoa pudesse ter um tal leque de posições. Senti que, na verdade, tinha de suavizar a verdadeira escuridão da Coreia do Norte, como no caso dos gulags kwan li so, sobre os quais os relatórios eram tão pungentes — abortos forçados, amputações, execuções coletivas — que inventei a colheita de sangue como um substituto menos selvagem, que fosse simples e visceral, pela forma como o regime de Kim rouba todas as gotas de vida aos cidadãos que sentenciou a uma eternidade de trabalho escravo.

DE: Muitas pessoas teceram comentários sobre o teu absoluto domínio do tema, sobre a quantidade de coisas que sabes sobre o país e a vida dos seus cidadãos. Para mim, tão importante como isso é o teu domínio do género. O romance é uma história de crescimento, uma história de espionagem, uma história de amor. Existe nele uma história de aventura no mar, uma história de rapto, uma história de redenção. Moves-te através de uma quantidade de registos, incluindo o trágico, o irónico, o satírico, o terno e o simplesmente aterrador. Como conseguiste lidar com tantos tipos de escrita? Que desafios estiveram presentes ao escrever um romance que se expande por tantas zonas?
AJ: Suponho que poderia dizer que, esteticamente, sinto este livro como muito natural e normal e muito colado à vida. As nossas vidas não são uma colisão entre o cómico e o incerto, entre o aterrador e o mundano? O que me soa falso a mim é quando os romances escovam o seu tema de tal modo que tudo pode ser articulado no mesmo registo e com a mesma modulação. Mas, em termos de material recolhido, senti que tinha a obrigação de organizar o livro do modo como o fiz. Li as narrativas de muitos desertores, todos eles com histórias traumáticas para contar. Para um escritor de ficção, o modo como essas histórias são contadas é tão importante como os seus conteúdos. As narrativas traumáticas são marcadas pela fragmentação, por quebras na cronologia, pelas alterações na perspetiva, pelas mudanças de registo, e por momentos de ausência. Precisava de captar todos esses elementos se queria dar vazão às experiências destas personagens de uma forma autêntica. E creio que a Coreia do Norte é uma narrativa traumática a uma escala nacional. O verdadeiro erro teria sido obrigar esta história a conformar-se ao horizonte de expectativas do leitor ocidental — um género de algo agradavelmente organizado, com princípio, meio e fim. A realidade é que só conheceremos a verdadeira forma de escrever um romance localizado na Coreia do Norte quando os romancistas nortecoreanos forem livres de contar as suas próprias histórias. Espero que esse dia não demore a chegar.

David Ebershoff é editor na Random House e foi o responsável pela edição de Vida Roubada. O seu romance mais recente é The 19th Wife. Adam Johnson ensina escrita criativa na Universidade de Stanford. A sua ficção tem aparecido nas revistas Esquire, The Paris Review, Harper’s, Tin House, Granta, e Playboy, bem como em The Best American Short Stories. A sua obra inclui Emporium, uma colectânea de contos, e o romance Parasites Like Us. Vive em São Francisco.

Mais informações em WWW.SAIDADEEMERGENCIA.COM
Esta entrevista foi da responsabilidade da editora Saída de Emergência.

[Porto Editora]Novidade "O Estranho Caso de Sebastião Moncada",de João Pedro Marques

Título: O Estranho Caso de Sebastião Moncada
Autor: João Pedro Marques
Págs.: 336
Capa: Mole com badanas
PVP: 16,60 €

Autor de Uma Fazenda em África regressa com romance passado nas Guerras Liberais
28 de janeiro é a data de publicação do novo romance de João Pedro Marques, O Estranho Caso de Sebastião Moncada. Combinando intriga, crimes e paixões no tempo das Guerras Liberais, este é o novo livro do autor que, com Uma Fazenda em África, um dos bestsellers de 2012, publicado pela Porto Editora, se guindou ao primeiro plano do romance histórico português.
Para além das personagens ricas e da trama misteriosa, o rigor histórico a que o autor já nos habituou completa este livro surpreendente e permite-nos conhecer melhor os primeiros passos da guerra civil portuguesa e o Cerco do Porto de 1832.


Correm tranquilamente os primeiros dias de junho de 1832 quando um casal desconhecido vem alojar-se numa estalagem da Foz do Douro. Ele é um homem de meia-idade e porte altivo, chamado Sebastião Moncada, e ela, uma mulher mais nova, de olhar assutado e gestos inquietos.
O casal chega rodeado de uma atmosfera de mistério, cuja persistência vai exigir a intervenção da Polícia. Mateus Vilaverde é o oficial da Guarda Real que fica encarregado do caso, mas a sua investigação complica-se extraordinariamente com a chegada do exército liberal de D. Pedro, que, desembarcado nas praias do Mindelo, ocupa a cidade do Porto. É, então, num cenário de guerra que Mateus vai descobrindo a história de Sebastião Moncada. Mas à medida que o vai fazendo vê-se impelido a investigar-se a si próprio e a confrontar-se com os seus afetos, desejos e fantasmas. Tendo como pano de fundo o Portugal das Guerras Liberais e o estoicismo das gentes do Porto, cercadas durante mais de um ano pelo enorme e impiedoso exército miguelista, O Estranho Caso de Sebastião Moncada é um romance sobre a importância do acaso e das coincidências na vida humana e sobre a coragem necessária para enfrentar e viver as consequências de um grande amor.




João Pedro Marques nasceu em Lisboa, em 1949. Foi professor do ensino secundário e depois, durante mais de duas décadas, investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical, a cujo Conselho Científico presidiu em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006, e, em co-autoria, Who Abolished Slavery? A Debate with João Pedro Marques, 2010). Em 2010, a Porto Editora publicou o seu primeiro romance, Os Dias da Febre, e, em 2012, Uma Fazenda em África, que, com várias edições, constituiu um dos grandes sucessos do ano.

[Planeta]Novidades Janeiro 2014

Titulo: Cidade Proibida
Autor: Eduardo Pitta
N. Páginas: 144
PVP: 14€
Lançamento: 23 de Janeiro


Cidade Proibida é o retrato de uma certa Lisboa, na actualidade. Uma cidade onde Rupert e Martim decidem viver juntos, mesmo que o tenham de fazer num meio tradicional, endinheirado e snob que poderá vir a cavar um fosso irremediável entre ambos. Mas o encontro que mudou a vida dos dois justifica esse desafio. Rupert é inglês e está em Lisboa como professor. Martim nasceu e estudou no Estoril, doutorou-se em Oxford e mantém uma assessoria régia numa holding de comunicação. É em Londres, que Rupert conhece Martim. De regresso a Portugal, Rupert troca o seu modo de vida pelo de Martim. Por seu intermédio, acede a um meio que lhe é completamente estranho, o das famílias tradicionais com casa no Estoril e assento em poderosos conselhos de administração. Contrariado, vê-se obrigado a privar com homens arrogantes com quem Martim estava habituado a programar temporadas de ópera em Nova Iorque e Salzburgo, carnavais em Veneza e compras em Milão. Rupert sabe que não faz parte desse mundo. Tudo visto, a única cedência de Martim foi ter concordado em deixar o gato em casa da mãe para irem viver juntos. No resto, manteve-se inflexível. E um certo alheamento da realidade fez com que levasse tempo a perceber que a história de ambos era atravessada por zonas de sombra...


Nasceu em 1949. É poeta, escritor, ensaísta e crítico. Tem poemas, contos e ensaios publicados em revistas de Portugal, Brasil, Espanha, França, Itália, Colômbia, Inglaterra e Estados Unidos. Entre 1974 e 2013 publicou dez livros de poesia, uma trilogia de contos, um romance, cinco volumes de ensaio e crítica e dois diários de viagem.
Em 2008, adaptou para crianças O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz. Os títulos mais recentes são Desobediência (2011), Cadernos Italianos (2013) e o volume de memórias Um Rapaz a Arder (2013). Participou em congressos, seminários e festivais de poesia em Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Colômbia. É colunista da revista LER, crítico literário da revista Sábado e autor do blogue Da Literatura.
Tudo sobre o autor em www.eduardopitta.com


Titulo: O Filho Perdido De Philomena Lee
Autor: Martin Sixsmith
N. Páginas: 488
PVP: 20,95€
Lançamento: 23 de Janeiro


Enquanto adolescente na Irlanda de 1952, Philomena Lee engravidou e foi enviada para um convento – uma «mulher perdida, caída em desgraça».
Durante três anos depois do nascimento do filho, cuidou dele naquele lugar. Depois a Igreja levou-o de si e vendeu-o, a exemplo de inúmeras outras crianças, para a América, onde foi adoptado. Durante cinquenta anos Philomena procurou encontrar o filho mas nunca soube para onde foi. Sem saber que ele também a procurou toda a vida. O filho, Michael Hess, nome dado pela família adoptiva, tentou procurar a mãe, mas a Igreja negou-lhe informações, pois receava a descoberta do macabro negócio de venda de crianças. Michael foi um advogado de renome, conselheiro jurídico do presidente Bush, que acabou por morrer vítima de sida. Este escândalo, quando foi descoberto, abanou os alicerces da Igreja Católica e embora, tenham pedido publicamente perdão às mães a quem venderam os seus bebés, sofreram a vergonha também pública de não serem perdoados.
Soberbamente contada por Martin Sixsmith, esta é uma história de que irá tocar o coração dos leitores, pois confirma que, mesmo na tragédia, o laço entre uma mãe e um filho nunca pode ser quebrado e o amor encontrará sempre um caminho.


Martin Sixsmith nasceu em Cheshire e frequentou as universidades de Oxford, Harvard e a Sorbonne. Entre 1980 e 1997 trabalhou para a BBC, como correspondente em Moscovo, Washington, Bruxelas e Varsóvia. Entre 1997 e 2002 trabalhou para o Governo Britânico como Director de Comunicações. Actualmente é escritor, apresentador e jornalista.


Titulo: Flavia De Luce E A Bola De Cristal Da Cigana
Autor: Alan Bradley
N. Páginas: 376
PVP: 18,85€
Lançamento: 23 de Janeiro


Flavia de Luce é brilhante, aos 11 anos esta heroína é apaixonada por química e tem como hobby pesquisar venenos e atormentar as duas irmãs mais velhas. Tem um laboratório muito bem equipado. Talvez por tudo isso, ou devido a uma curiosidade acima do normal adora desvendar crimes. Vive com o pai e as irmãs na antiga mansão Buckshaw, e apesar da personalidade forte e solitária (a única amiga é a bicicleta, Glayds), é no fundo, uma jovem solitária que nunca se conformou com a morte da mãe que mal conheceu, e que não se consegue interessar-se pelas mesmas coisas que as irmãs – que só querem saber de roupas, maquilhagens e namorados. O pai é um viúvo que ainda sofre com a perda da mulher, e que se isola no escritório com sua preciosa colecção de selos, sem dar importância com o que se passa à sua volta. A história deste terceiro livro começa com um crime antigo, que nunca foi considerado como tal e um novo, o que leva Flavia a conseguir interligar os dois.
Durante a quermesse de Bishop’s Lacey, Flavia pediu a uma cigana que lhe lesse a sina, mas não estava à espera de, horas mais tarde, já de madrugada, ir encontrar a pobre mulher mergulhada numa poça de sangue no interior da sua caravana. Teria sido um acto de vingança, perpetrado por algum habitante da terra, convencido de que, anos antes, a cigana raptara e levara consigo uma criança da aldeia?
Flavia é menina para compreender bem o doce sabor da retaliação; com efeito, a vingança é um passatempo com que não pode deixar de se deliciar quem tem duas irmãs mais velhas, ambas odiosas. Mas qual será a relação entre este crime e a criança desaparecida? À medida que as pistas se vão acumulando, Flavia terá de as analisar com todo o cuidado, a fim de desembaraçar uns dos outros os fios negros de actos e segredos do passado.



Alan Bradley nasceu em Toronto, e cresceu em Cobourg, Ontário. Formou-se em engenharia electrónica, e trabalhou em várias estações de rádio e televisão, em Ontário, antes de se tornar director de Engenharia de Televisão. Resolveu dedicar-se à escrita e publicou vários livros infantis antes de se resolver a escrever para adultos A Talentosa Flavia de Luce que se tornou de imediato um fenómeno. Ganhou entre outros, o prestigiado prémio Debut Dagger Award e o Agatha Award 2009, um galardão que distingue escritores de policiais, seguidores do estilo de Agatha Christie. Visite o sítio de Alan Bradley, www.flaviadeluce.com. E conheça a página de fãs de Flavia na Internet em: http://flaviafanclub.ning.com

[Chiado Editora]Novidade "Silêncios",de Filipe Marinheiro

«Silêncios» de Filipe Marinheiro

Chegou em Dezembro de 2013 às livrarias o novo livro de Filipe Marinheiro intitulado “Silêncios” pela Chiado Editora. A obra reúne cerca de 270 poemas inéditos em 378 páginas. Em desdobramentos melancólicos entre poesia em prosa e verso, a realidade poética é uma densa complexificação que devora o universo e é, ao mesmo tempo, devorada por ele.
A escrita desta segunda obra do jovem poeta é pautada pela construção e desconstrução da linguagem, resultando numa poesia de transfiguração e transmutação, caracterizando o sujeito poético como plural, obscuro e enigmático. Léxicos múltiplos, caminhos diversos para dar a conhecer os diferentes acontecimentos da sensibilização, a fim de exprimir o que mais puro existe na existência. Em “Silêncios”, a rebeldia e fragmentação da linguagem quase que hipnotiza a atmosfera envolvente, desenvolvendo uma sobre-realidade alquímica e mística, purificando a própria palavra e o vazio absoluto. A força motriz da sua obra concentra-se nesse excesso do sensível, duplamente graça e maldição. Se por um lado, confere acesso a mundos mágicos e ao encanto dos sentidos pela sensibilidade e imaginação, por outro lado, exponencia o sofrimento, a angústia, a dor, a revolta causada pela violência da opacidade e agressividade do mundo, realidade insuportável que estremece o seu universo poético. Poesia de deambulação, vigília inquieta, procura ofegante de espaço vital, grito infinito da fragilidade extrema do ser humano nesta subtil inércia das forças.

O leitor é arrastado por um turbilhão de sentidos, em desvios múltiplos, num excesso imagético — despido e desamparado encontrará a verdade do ser. Apesar de uma poesia marcadamente desassossegada e melancólica, a tónica da mensagem de Filipe Marinheiro é esperança de resolução do mundo pela suavidade, beleza e pelo amor.
Para que se possa melhor conhecer este autor, o único caminho é lê-lo, atravessar a obra para encontrar os seus próprios “Silêncios”. É possível encontrar uma forte influência dos poetas: Al Berto, Herberto Helder, Artur Rimbaud, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa, Lautréamont, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Bowles, Antonio Gamoneda, entre outros...


OPINIÕES ACERCA DE "SILÊNCIOS"
«A intenção era apenas ler um, e acabei por ler todos, experimente é bem possível que lhe aconteça o mesmo.
A sua poesia, a sua crítica revestida por um inconformismo constante. Vem abalar alguns pilares que apesar de corroídos se vão mantendo, cheios de pensos rápidos. Sem ninguém se aperceber ou apercebendo-se e não querendo admitir, estes pilares se não tiverem uma reestruturação, um restauro afim de preservar o que de bom ainda têm, acabarão por cair. Não gosto do cenário. Eles deverão continuar de pé, não com o material degradado e desgastado pelo tempo e curado com pensos rápidos, e sim com uma intervenção cirúrgica que lhe forneça sangue novo. Desejo-lhe muitos leitores e Parabéns Filipe :) adorei e um bem haja à Chiado Editora :)»
Leitora Paula Duarte

«por alguma falta de “Silêncios”, paradoxalmente, ou de ruminante contenção, por algum excesso imagético, pelo menos, parece por vezes pecar o último trabalho de Filipe Marinheiro, mas chega também, paradoxalmente ainda, a alcançar, sobretudo nas passagens menos extensas, certa eficácia na mensagem e grande beleza musical.”
Filósofo Daniel Moreira Duarte


INFORMAÇÕES ADICIONAIS:





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