[Entrevista]À conversa com...Milene Emidio


Hoje é Sabado e por isso temos a nossa rubrica “Á conversa com…”. 
Chegou a vez de uma menina que a maioria de vós conhece, chama-se Milene Emidio e publicou o livro “O Vestido”.Antes de passar à entrevista, gostaria de agradecer à Milene por ter aceite o convite de participar neste nosso cantinho.

1 – Como e quando nasceu o gosto pela escrita?
O gosto pela escrita nasceu do gosto de ler e de inventar histórias. Aprendi a ler com cinco anos e desde então foi um crescendo enorme. Dei por mim a fazer composições algo elaboradas para a escola e a tentar que os professores nos dessem temas livres para poder criar e não limitar-me a relatar o que acontecera nas férias ou o que queria ser quando fosse grande. Aos 16 tentei estruturar a minha primeira história grande e séria, mas passadas umas 60 páginas, ao reler o que tinha, pensei que lhe faltava maturidade, experiência de vida. Abandonei o projecto, mas nunca a ideia, até que, por fim, na faculdade, um professor me deixou um comentário num texto livre que lhe apresentei (módulo de linguística) a pedir para ler o resto. Quatro anos depois, numa cadeira de opção – Oficina da Escrita – apresentei-lhe o conto O Vestido como projecto final.

2 – Qual a sensação de ter um livro publicado?
No meu caso é algo agri-doce. A publicação de 2007 acabou por ser um autêntico fiasco, logo a expectativa, nervoso miudinho e a felicidade de poder ter o “meu menino” à vista de tudo e todos foram enterrados pouco depois de terem nascido. Já a reedição, foi por minha conta e risco, sabendo que não teria nada a ver com a comum edição – a distribuição é feita apenas por um canal (site da editora/gráfica) e, como tal, não chega longe, por muito que o autor se esforce. Ainda assim, fiquei com um gostinho mais doce com a reedição do que com o trabalho original.

3 - Fala-nos um pouco de “O Vestido”.
É um pequeno conto sobrenatural. Como já referi, começou por ser um trabalho académico, que após quatro anos deu origem ao conto como hoje o conhecemos. Foi inspirado num sonho que tive – tenho por hábito apontar aqueles que penso serem relevantes, e na altura estava sem ideias para fazer o trabalho da faculdade quando me lembrei de pegar no “caderno dos sonhos” e tentar encontrar um que pudesse dar uma boa história em quatro páginas (limite imposto pelo professor). Dei por mim a delinear naturalmente parte da história e aquilo que é hoje o primeiro capítulo, foi efectivamente o texto que deu início a tudo e é também a parte que corresponde ao sonho. O problema depois foi arranjar justificação para tudo o que comecei a escrever. Uma morte não é apenas uma morte, tem de haver uma justificação para tal. A personagem principal não se encontra num determinado local só porque sim, tem de haver um porquê que responda a este tipo de questões. E foi crescendo, não ao ritmo desejado, mas a tempo de ser apresentado ao mesmo professor que avaliou o pequeno texto inicial e que me incitou a continuar. Em suma, uma viagem no tempo, que não careceu de uma máquina e em que a personagem tem oportunidade de se conhecer melhor, de descobrir muito sobre si mesma, de corrigir alguns acontecimentos e de aprender a amar.

4 – Como te sentiste perante o feedback dos teus leitores?
Feliz, entusiasmada… É uma sensação incrível teres alguém a vir ter contigo dizer que leu a tua história. Melhor ainda se disser que adorou. Nem todos podemos gostar do mesmo e sim, já tive criticas menos positivas. Penso que uma daquelas devastadoras ainda não tive, embora já que tenham atribuído pontuações baixas (goodreads), mas como não colocaram a razão da pontuação fiquei sem saber se foi por não se identificarem com a história e/ou personagens, se foi por considerarem que está mal escrito, se não gostam do formato… No geral, ter feedback é óptimo e contactar com leitores tem sido um prazer enorme. Debatemos o que fiz, porque o fiz, as alternativas, o que poderia estar a mais ou a menos, projectos futuros, ideias…

5 – Quais as expectativas que tinhas ao publicar o livro?
Eram algumas… A primeira e talvez a mais importante era VER o meu livrinho por aí, no verdadeira sentido da palavra ver. Significaria que estaria ali pronto a ser notado por muita gente e podia despertar o interesse de alguém ou, quiçá, de muitos. Infelizmente, como já referi, a parceria com a editora não correu bem e o livro nunca deve ter saído do lugar onde o guardavam, dado que se procurou em diversas livrarias (das grandes superfícies às mais pequenas – de acordo com uma lista que me foi dada pela própria editora indicando que o livro se encontraria à venda nesses locais) e nunca ninguém o viu. Pior… Os responsáveis chegaram mesmo a dizer-nos que não tinham sequer registo da existência da obra para possível encomenda por parte dos leitores.
Outras expectativas seriam (e condicionadas pela primeira) um feedback maior por parte dos leitores, não maior em termos de fazerem reviews maiores, mas sim de um maior número de leitores a comentar, a passar a palavra; participação em eventos literários (consegui alguns, graças a outros autores e alguns leitores que com carinho se lembraram de mim e de me incluir nesses eventos) onde pudesse divulgar ainda mais o conto.
Essencialmente penso que são as expectativas de boa parte dos autores.

6 – Quando teremos um novo livro?
Questão difícil e sei que ando a adiar há demasiado tempo a conclusão da história da Inês e do Diogo. Ela está feita. O problema é mesmo rever (após test-reading que também já foi feito), limar, limpar, colocar tudo no seu devido lugar para poder dizer que está efectivamente pronto. Queria ver se ao longo deste ano conseguia convencer-me a voltar à história (eu precisei de me distanciar dela para que consiga fazer uma revisão decente) para a terminar de vez e entretanto, avançar com um outro projecto que comecei e que ainda não passa de esboço, gráficos, apontamentos e algumas imagens de referência.


7 – Todas as histórias são dentro do género Fantástico?
Sim, até ao momento. É o género que mais me apraz ler e, consequentemente, escrever. Dentro do fantástico há uma miríade de subgéneros e confesso que me tenho ficado pelo paranormal. Estou a ver se com o terceiro projecto faço algo diferente, mas dentro do fantástico.

8 – Para finalizar, queres deixar alguma mensagem especial para os teus leitores?
Que continuem a ler, que continuem a opinar sobre o que lêem, que continuem a acarinhar os autores de quem gostam e a dar-lhes ideias, sugestões…Acima de tudo, que continuem a encontrar nos livros aquele lugarzinho de escape à rotina diária.

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